sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Do não ser ao que sou

Quem te disse ò alma que sabes quem sou,
Que nos rios que correm o mar lá deixou,
Mensagem para mim, poeta que sou,
Nas palavras perdidas que o mundo deixou,
Incertezas na vida que passam por mim.

Sou raio de luz para quem já ficou,
Perdido no rumo que uma noite mudou,
Estarrecido, incrédulo em crer no que voou,
Para além do céu que a terra desertificou,
Num passo esquecido dado com frenesim.

Para onde caminho, não sei, sei que vou,
Procurando o sentido do sol que raiou,
Num telhado que fiz na casa que lá ficou,
Um dia no tempo, passado, que a hora estancou,
Numa saudade de algo em flor de cetim.

Colho hoje o fruto que a dor perpetrou,
Num coração selvagem que a chuva molhou,
Não sei quem sou, apenas que me dou,
A altivas formas de ser quem não sou,
Num mar de lágrimas que corre em meu jardim.

Jardim, que não tenho já, tive, não voltou
A ser como era, alguém o violentou,
Tirando-lhe o brilho que em tempos me revoltou,
As entranhas e manhas que o tempo agarrou,
Em hora esquecida que nasce de mim.


Vítor Fernandes

sábado, 19 de dezembro de 2009

Suave poema do meu ser

As palavras brotam do arco do meu ser,
Saber, não viver,
Viver que é nada num simples texto,
Emaranhado de letras,
Envoltas em pensamentos abstractos.

Sopra o vento por momentos…

Sou o poeta que quero ser,
Ou não,
Tudo o que escrevo vem da alma,
Do infinito que rasga interpretações,
Que mais não são, para mim, que emoções.

O sol desce por entre as árvores…

Rebento em desnorte de sensações,
Escrevo,
Liberto estou de tentações,
Rebeliões de alma de exércitos sem cor,
Tudo eu sou.

A lua beija o céu por momentos…

Minha caneta escreve quase sem mim,
Por vezes corro ao seu encontro,
Esgotado por seu imenso fôlego,
Percorrendo estradas sem fim,
Quase grito por socorro.

Vai alta a lua junto das estrelas…

Aqui estou ainda hipnotizado,
Alegre, feliz, em desacordo,
Com tudo o que escrevi ou apenas li,
Sentado no trono de meus poemas,
Ser que sou e que não fui.

Nasce o sol para um dia sem fim…



Vítor Fernandes

sábado, 12 de dezembro de 2009

Vim buscar-te

Percorro teu jardim,
Num dia chuvoso, sem fim.
Os pássaros não cantam nas árvores,
O suave cheiro do alecrim
Rodeia toda a bela mansão.
Plantaste também jasmim!
Que emoção, afinal lembraste-te,
De nossos dias de amor pretenso
Carregados de sol imenso.
Nem por um momento vacilei.
Nunca! Seria impensável fazê-lo.
Hoje, enfim, voltei.

Estou triste, sinto tua falta,
Nos dias em que te tive,
Não sei porque não te estimei.
Sei, contudo, que te amei,
E amo ainda, com todas as forças,
Pensamentos, emoções,
Até me recordo das nossas canções!
Hoje, estou aqui para falar com teu jardim,
Explicar-lhe que vais voltar para mim,
Saltar para minha mão,
E afagar meu coração.
Teu lugar é lá,
De onde, te juro,
Nunca em nenhum dia saíste.



Vítor Fernandes

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Amor hipnótico

Vejo-te nos sonhos,
Deliro em minha alma,
Sou poeta, profeta,
De um vazio inexistente.

Sonho-te ainda!

Louco, livre, sou eu o mar,
Que desagua no teu sorrir,
No teu leve abraçar,
Nas amarras do teu beijo.

Sonho-te ainda!

Bela, serena, infinita sereia,
Que transborda de emoção,
Meu coração em ebulição.
Sei que estás algures no mundo.

Sonho-te ainda!

Sôfregos momentos de vislumbre,
De um olhar confiante, afável,
Solto de escárnio, sem nada,
Amor puro e perene.

Sonho-te ainda!

Hei-de encontrar-te, além
Desta imaginada estação,
Onde juntos estaremos em harmonia,
Ao som de uma bela canção.

Sonho-te ainda!



Vítor Fernandes

domingo, 22 de novembro de 2009

Dissimulação

Alarga, afrouxa, desaferrolha,
Essa vontade de mim.
Desamarra, desaperta, desata,
A corrente por fim.
Alegre, contente, divertido,
Quero estar sem ti,
Galhofeiro, engraçado, animado,
Deixa-me ser assim, já me demiti.
Fortaleza, praça, bastião,
É assim, meu coração,
Sólido, duro, resistente,
Aguenta qualquer decisão.
Hora, tempo, instante,
Já não resta nenhuma solução,
Ensejo, ocasião, oportunidade,
Nada mudará minha sentença.
Aldrabo, indromino, minto,
A mim mesmo com esta conversa,
Falseio, simulo, finjo,
Que já nada em ti me interessa.
Alcancei, adquiri, encontrei,
Essa liberdade que desejei,
Conquistei, obtive, cobrei,
Mas agora sinto que fraquejei...


Vítor Fernandes

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Só tu, Ó Tejo

Em tuas margens me perco,
No teu leito correm meus dias,
Longe de mim e, no entanto, tão perto,
Em ti vivo e desperto,
Nessas águas luzidias.

Princípio de tudo, começo,
Fundador de todos os meus sonhos,
Sentido profundo de minha existência,
Aos teus mistérios me entrego,
Até atingir a demência.

Ó Tejo que me fascinas,
Quão importante és em minha vida,
Neste grito que solto, nem imaginas,
Quanto de mim aqui vai,
Nestas palavras que te destino.

Sôfrego, intenso, ainda calmo,
Não vivo sem amor nem sentido,
A ti dedico poema ou salmo,
Qualquer deles com paixão,
Num abraço de emoção.

A ti, Ó Tejo de todas as ninfas,
Rei de trovas encobertas,
Das naus e descobertas,
Dedico todas as letras,
Que envolvem minha alma.

Com excepcional tranquilidade me envolves,
E, só tu, a paz me devolves,
Neste mundo conturbado.
Em ti repousa minha fé,
Enquanto bebo este café.


Vítor Fernandes

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Da liberdade"

I

Hoje acordei a pensar que sou livre,
No meio de um mundo que já não é o meu,
Ilusão apenas que tive,
Pois este já não sou eu.

Liberdade é isto que temos?
Não, mil vezes não, vos digo,
Nós, povo, que se abstêm,
Mais não temos do que o que merecemos.

Não sou livre não,
Acredito que podia ser, um dia,
Afastando os palpites, dando um abanão,
Neste país que não sabe o que podia.



II

Duro acordar para a realidade,
Temos na mão o cravo bordado,
No entanto, a bem da verdade,
Não aproveitamos o que nos foi dado.

Roubam-nos o ar, o cheiro das flores,
O pouco que há que nos pode agradar,
Não afasta os anos das dores,
Nem o mais que há para contar.

A cada dia que passa,
O suave odor da liberdade,
É como uma faca que trespassa,
Qualquer um em tenra idade.


III

É chegada a altura de acreditar,
De sentir que este tudo é nada,
Lutar para alcançar,
Uma autonomia desejada.

Deixem-nos pensar, escrever, ser,
Alguém, forçosamente, tem que o fazer,
As correntes irão soltar-se, podem crer,
Pouco restará para quem não quiser.

Não somos um único cérebro que pensa!
Eu não penso como vós,
Nem tal almejo fazer,
Quero apenas poder ter a minha maneira de o fazer.


IV

Sento-me com meus pensamentos.
Tantas pessoas a sofrer,
Com fome, banhadas em tormentos,
É preciso deixar de gemer.

Grito hoje bem alto,
Isto não é liberdade!
Mais será, talvez, um pesadelo,
Que não deixará saudade.

Devolvam-nos os cravos,
Queremos fazer diferente com eles,
Cansámo-nos de sermos parvos,
Baixar a cabeça, acreditarmos “naqueles”.


V

Que raio de acordar eu fui ter,
Exaltar a liberdade, o deixar de sofrer,
É neste momento que almejo,
Tudo aquilo que não vejo.

Este nada que nunca foi,
Mais do que um suave vislumbre,
Uma pequena e leve parecença,
Pouco mais do que uma crença.

Ingénuos soldados ignorantes,
Não temos armas, mas sim palavras,
Nada pode ficar como dantes,
Temos que acordar enquanto é tempo.


VI

É chegada a hora!
Lutar pelo que queremos,
Respeitando aquilo que somos,
Com certeza, tudo melhora.

Sou livre quando respeito,
Toda a liberdade dos outros,
Porque, meus amigos, o desrespeito,
Não é liberdade, mas o que temos.

Levantar a cabeça neste momento,
Fraqueza não é solução,
Tenho um pressentimento,
Não tivemos revolução.


Vítor Fernandes

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Hope is all that matter

I am shooting star
An intense blue sky
I do not believe in tears
Only in the hope of love

I want to keep the love
That reigns in my heart
For everything that surronds me
Trees, rivers or birds

I believe in emotions
And beautiful songs
Fulfilling my soul
As water that flows into a river

I am the love child
Came on the wings of the stork
Hoping I can die
delighted to sensations.


Vítor Fernandes

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Já à venda o livro “Fragmentos da alma”

Hoje o sonho é real. Está feito. No entanto, não se concretizará, verdadeiramente, sem a vossa colaboração. É necessário que passe de mão em mão, de pensamento em pensamento, de mim para vocês.
O meu desafio a todos é que leiam esta obra, escrita nos intervalos da minha vida. Um mundo de sensações e emoções. Estados de alma que, por vezes, mais não são do que sonho e realidade de mão dada.
Loucura, êxtase, frenesim... a alma absorve tudo o que a rodeia e transforma os pensamentos em poemas que revelam um pouco do que não somos, mas que podemos ser.
Este é o meu primeiro livro...com toda a certeza não
será o último.
Conto convosco, espero que gostem.
Podem adquiri o livro "Fragmentos da alma" em https://www.lulu.com/commerce/index.php?fBuyContent=7756299

Vítor Fernandes

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

“Orgulho nacional”

País de navegadores,
Este nosso Portugal,
Dos amores e desamores,
Da nossa corte real.

Cantados foram os senhores,
Por nossas penas inquietas,
Nós ficámos com os penhores,
Vós ficastes com as damas funestas.

Este foi nosso passado
Hoje não temos heróis,
O nosso coração está amassado,
Só comemos caracóis.

Glória a Deus por Portugal,
Temos sol, poetas e mar,
Só precisamos afinal,
De nossa atitude mudar.

Que orgulho em ser poeta,
Pensar com a alma não faz mal,
Daí esta massa afecta
A tudo o que é racional.

Canto o sol, o mar e a terra,
As ninfas e o reino animal,
Tudo o que meu coração encerra,
É o orgulho nacional.





Vítor Fernandes

sábado, 26 de setembro de 2009

Reminiscência

Quero viver.
Sinto saudades da vida,
Dos sorrisos das flores,
Dos pássaros a cantar.
Acordo.
Que duro este acordar.
Não era assim,
Lembro-me.
Tudo mudou,
Preciso de voltar a sentir,
Percorrer os caminhos,
Que envolvem meus sonhos,
Tenho de voltar a sonhar.
Sinto falta da alegria de sonhar,
De alcançar o inatingível,
De lutar sem medo de perder.
Sinto falta do cheiro do mar,
Sem estar perto de lá chegar.
De tocar o céu, sem nunca voar;
De nadar sem entrar na água.
Loucura.
Sinto falta de poder ser louco,
De amar sem nada esperar.
De brincar,
Soltar a alma ao vento;
Sinto falta de poder ser eu.
Aquela pessoa de que gosto,
Que vive a felicidade de ter amigos e…
Vontade de viver.
Procuro,
Mas sei que não vou encontrar.
Quero voltar a viver.


Vítor Fernandes

sábado, 19 de setembro de 2009

Mudar

Olhos no futuro.
Finalmente a bruma dissipa-se,
No horizonte longínquo,
Deste céu de azul intenso.
Fé.
Pedem-nos sangue,
Suor, lágrimas,
Qual deuses do Olimpo,
Em tão desumano esforço.
Acreditar.
Será que vale a pena?
Ou nada irá mudar?
Tanta luta nesta vida, tão densa,
Com uma política pretensa,
Imoral, não social!
Coragem.
Temos muita, de sobra,
Nesta estóica caminhada,
Sobre fogos e nevões,
Sempre em más condições.
Mudança.
É hora de tocar a rebate.
Chega de frases inúteis,
De ideias sem substrato.
O caminho não é este,
Nunca poderá ser.
Luta.
Cerebral, intelectual, racional,
Nunca emocional.
Para não derrotar o ideal,
De uma liberdade real.



Vítor Fernandes

domingo, 13 de setembro de 2009

Na penumbra

Esta trémula luz,
Na penumbra da noite,
Parece aparentemente perdida,
Sem rumo aparente.
Enganam-se! Pois sim!
Esta singela luz,
Guia minha pena
Por caminhos sem fim,
Num mundo de poemas.
Alumia as palavras,
Que sofregamente escrevo,
Imagino, registo,
Debito, enfim;
Só ela me permite,
Exercer este fascínio,
Que nasce das letras,
Palavras e afins.
Trémula luz em noite misteriosa,
Que absorve os sentidos,
Hirtos, não descritos,
Apenas vagos, por vezes,
Certezas infinitas,
Em verdades resolutas,
Nunca absolutas,
Isso são segredos em mim.
Luz sem escuridão é quanto preciso…
Não importa se trémula ou brilhante,
Forte ou fraca,
Apenas a intensidade mínima,
Que faz da noite quase dia.



Vítor Fernandes

sábado, 12 de setembro de 2009

Alma

Estado de alma, sentida,
Talvez sofrida, vivida ou esquecida,
No mar, na terra, horizonte longínquo,
Pássaro selvagem que rasga os céus,
Procuro-te, antevejo-te, adormeço-te,
No quarto dos meus sonhos, coração,
Com sorte, azar, sentido...
Estado de alma, sentida,
Percorrida por um mar sem fim,
Mulher que passa. Olha, não fica.
Continua um caminho inventado,
Não testado, amado, ou não, sem ver,
No fundo, onde está a razão?
Estado de alma, sentida,
Frustrada, amada, violada,
Por si, por mim ou alguém,
Talvez até por ninguém,
Não interessa...
Sentida fica sempre que lhe tocam...


Vítor Fernandes

sábado, 5 de setembro de 2009

Em mim, maior

Onda que és menor,
Neste rio, para mim maior,
Imensa água, sem fim,
Tejo das tágides e ninfas,
Sepulcro de memórias, recordações,
Canções, orações, emoções,
Mosteiro de meus pensamentos,
E sofrimentos.
Sonho ser teu irmão,
Nadar na liberdade de tuas águas,
Ser poema em tuas palavras,
Ver no horizonte as almas,
Em ti perdidas, ou tão só encontradas.
Nos teus braços repousa,
A vida deste teu servo,
Em sentimentos animados,
Por loucura ou frenesim.
Insanidade que se lamenta,
Nalguns casos em tormenta,
Dependência boa ou má?
Só quero em ti ser melhor,
Em ti minha alma vibra,
Ó Tejo, rio, maior.


Vítor Fernandes

sábado, 29 de agosto de 2009

Poeta sou eu

Longe corre no horizonte
A luz que ilumina os astros.
Observo o céu,
Vislumbro o poeta que dorme,
Destapando o véu
Sobre essa manhã disforme.
Tantas verdades dizem,
Quase sempre encobertas,
Esses génios que escrevem,
Sobre tudo e sobre nada.
Essa raça, os poetas,
Loucos sem terra,
Que apenas voam sem rumo,
Nas asas de uma esfera
Em forma de caneta.
O vento sopra em minha face,
Acordo,
Era sonho.
Poeta sou eu,
Hoje que por fim,
Estou sentado nos sonhos de minha vida.


Vítor Fernandes

domingo, 23 de agosto de 2009

És sempre tu em meus sonhos

És tu.
Sempre tu nos meus sonhos,
De inquieta iniquidade,
Já tenho saudade
De tocar teus lábios,
Sentir tua pele,
Rebolar olhando a lua,
De papel.

És sempre tu em meus sonhos.

Navegas em minh'alma,
Em constante altercação,
Pobre de meu coração,
Que de poeta lhe falta a calma,
Sofrida na pena irrequieta,
Uns dias intensa, outros quieta.

És sempre tu em meus sonhos.

És a eterna saudade,
Que trago no peito amarrada,
Às vezes não vislumbro a verdade,
Do sentimento a que estás agarrada.
Espero no meu canto,
Não acredito em desencanto.

Serás sempre tu em meus sonhos.



Vítor Fernandes

sábado, 22 de agosto de 2009

Gostava de estar lá

Sussurro em teu ouvido,
Palavras que nem sei se ouves,
Beijo tua face suavemente,
Com toda a força de minh'alma,
Protejo-te sem saber como,
Saio já e o sol ainda vem longe.

Passo tempo demais sem ti.

Sei que não compreendes,
Nem o mundo, nem esta minha vida,
Confusa para ti,
Sem minutos, sem tempo para fazer crescer,
Algo mais do que o que já existe,
Não me desculpo, também preciso de ti.

O tempo não pára para ti...
E por mim apenas passa.

Também já fui criança...
E no tempo infindável que por mim passava,
Sentia a falta desse tempo que não existe,
Do querer tudo sem poder ter nada,
Olhar e perceber que falta alguém,
Alguém que me quer bem sem perceber como.

O pouco que durmo absorve o meu pensamento
Nessas faltas de tempo,
Que não poderei nunca resgatar.

Vítor Fernandes

domingo, 16 de agosto de 2009

Bucólico

Na berma da estrada,
Vejo passar um búfalo,
Com indiferença bufar,
Dono de sua coutada.
Este papalvo espreita,
Num passeio rocambolesco,
A forma de um bueiro,
Algures entre um pinheiro.
Bucolista sou,
Ah! Aquela camoesa,
Com todos os seus berloques,
Moldados como plasticina,
É algo que me fascina.
Paro. Abro o farnel,
Sinto-me sonolento,
Ao olhar o farol.
Ouve um desfalque naquela dorna,
Disso tenho certeza,
A mediania aqui impera.
Vou montar meu rocinante,
Tocar minha viola,
Dorminhoco não serei,
Nem uma farpa de qualquer auto,
Me atingirá o dorsal.

Vítor Fernandes

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Perdido

Sufoca-me esta noite,
De calor intenso, fechado
Num arraial de dúvidas,
Imenso,
Num nada que é tudo,
O que possuo neste momento.
Respiro, mas não consigo,
Afastar esta dor
Ou apenas sufoco,
Do calor,
Que me gela a alma,
Pálida, submersa,
Sob uma luz ofuscada,
Por mim,
Num rumo desatento,
Sem estrada, sem curvas,
Direito a um destino,
Que sei não ser meu.


Vítor Fernandes

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Gente do mar

Gente envolta no mar,
Tenebroso e revolto,
Carrega perigo no olhar,
Num barco feito de pau solto,
Por entre vagas desmedidas.
Ò garra enorme que te envolve,
Alma de povo pobre e honrado,
Que enfrenta ondas e marés,
Dias carregados de revés,
Numa vida que não desenvolve.
Em vosso sangue mora a pesca,
Feita de esforço, profissão.
Pescadores de Matosinhos,
Terra de grande procissão,
Nunca vós estareis sozinhos.
Uns voltam,
Outros por lá ficam,
Choram-se os mortos de uma vida,
Todos ficam no coração,
Com fé e muita união.
Orgulho, amor e coragem,
Essa é a história que nos contam,
Todos os que embarcam na voragem,
daquelas ondas que se soltam,
E se perdem na maré.


Vítor Fernandes

domingo, 9 de agosto de 2009

Memórias

Negra saudade de teus recantos,
Moldados, sulcados de finas camadas
De Areia,
Voando com o vento,
Subindo uma encosta,
Vadia,
Sempre acompanhada de gente,
Perdida,
No aroma de teus cheiros,
Delirantes e passageiros.
Fui feliz nesse teu rio,
De lágrimas, sorrisos,
Dias entregues a nada,
Como quem já conquistou o mundo.
Oh! Ímpeto delirante,
Fui além do que queria,
Cheguei onde não devia,
Sempre sentado no colo das tuas memórias.
O Nada que ficou,
No tempo inquieto,
É tudo o que preciso para saber,
Que vou ...
Para onde não sei,
Mas o que guardei de ti,
Faz parte do que já passou.

Vítor Fernandes

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Fascínio da noite

A noite já vai alta.
Neste vazio assombroso,
Divago no nada, que já foi,
Digo adeus às estrelas,
Como quem pára o universo,
Travesso,
Com mil mistérios a seu cargo.

Seria melhor tentar dormir,
Ou apenas fingir algo semelhante.

Escrever acontece-me...
Meu cérebro não pára de pensar,
Estou louco para o conseguir controlar.
Seria tão mais fácil!
Olho lá fora, a lua deslumbrante,
Dançando com o céu, altivo,
Em seus gestos desconcertantes.
A noite domina-me,
Não tenho mais explicações,
Para as constantes divagações,
Entre mim e o céu, o céu e as estrelas,
Cometas até...
Nasci de noite.
A chave pode ser essa;
De dia consigo pensar em nada,
Ficar alegre com a tristeza nos braços,
Dizer o que sinto sem pensar que minto,
Mas a noite...
Ah! A noite domina-me.


Vítor Fernandes

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Durmo ainda

Longas noites são estas que passo,
Nos teus braços,
Ou nos meus,
Sabendo apenas que são braços,
Que aquecem
Ou arrefecem,
Consoante o dia em que se encontram.
Respiro lentamente teu perfume,
Rasgo de suave brisa em meu olfacto,
Sinto-te perto.
Nos braços que me abraçam desperto,
E adormeço dias sem conta.
Esta luz que sobra no final do teu olhar,
Raio de sol que parece afagar,
Meu espírito,
Quase um nada,
Como se minh' alma fosse um poço,
Em que um simples braço mergulha,
E encontra,
Um leve e lânguido acordar,
Quando já nada há para recordar.
Durmo...


Vítor Fernandes

sábado, 1 de agosto de 2009

A tarde

Saio de casa liberto,
De todos os sonhos desperto.

Tarde que tarda em ser noite,
Encerra em seu ventre o sol da manhã,
Será que depois de hoje
Haverá algo mais belo no amanhã?
A tarde, penso, não será.
Oblíqua saudade de uma tarde decente,
Em que faça algo mais do que ver gente,
Que não sabe o que quer nem quer o que sabe.
Tarda em aparecer algo diferente.

Semente plantada numa tarde qualquer.

É assim dormente esta tarde ausente,
Fruto de delírio recente.
Não quero passar esta tarde!
Tempo, porque me torturas?

Enfim, há-de chegar a noite,
E em infinita e gloriosa entrada,
Dar nesta tarde uma facada,
Coisa que merece deveras.

Entro em casa incerto,
Afinal dos sonhos não desperto.


Vítor Fernandes

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O mínimo

Roubam-me o ar,
A cada dia que passo asfixio,
Esta vontade enorme de ser mais,
Olhar o sol da cor da minha alma,
Sentir as nuvens num abraço cordial,
Não me abandona esta vontade.
Escrevo, crio, entre muitas outras coisa,
A que para pagar as míseras contas,
Me tenho de entregar.
Um país é a sua cultura,
Para onde caminhas Portugal?
Aqui nunca interessou criar,
Apenas trabalhar as vontades de outrem,
Num país a descarrilar.
O cansaço, por vezes, tolhe-me a pena,
Quero pensar e não dá mais,
O corpo resiste, a mente pára,
Ai, se eu trabalhasse menos!
Somos um país de poetas!
Por onde andam eles nas livrarias?
Nas casas de cultura, nas editoras, enfim.
Não queremos viver de apoios,
Queremos apenas alguém que apoie,
Ou que perceba a cultura,
Pelo menos... queremos o mínimo.


Vítor Fernandes

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Chegaremos lá

Louco,
Livre,
Procuro a liberdade.

Olho,
Não a encontro,
Roubaram-ma em tenra idade.

(Hei-de encontrá-la)

Sôfrego,
Intenso,
Sou, neste nada que é tudo.

Infinita alegria,
Luta,
Revolta nos olhos do povo.

(Chegaremos lá)

Força,
Ambição,
Vale tudo nesta confusão.

Remar,
Contra a maré,
Mantermo-nos sempre de pé.

(A porta abre-se a qualquer momento)

Concursos de poesia

Bom dia,
Deixo-vos aqui algumas dicas sobre concursos de poesia a que podem ainda enviar o vosso trabalho:

1º Prémio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Amerícana/2009 - regulamento aqui

Prémio de Poesia Manuel Alegre - regulamento aqui

Concurso Aveiro jovem criador - regulamento aqui

Boa sorte a todos.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Breve passagem

Abandono teu corpo,
Suave beijo nesta tarde de Verão,
E voo rumo ao destino;
Espalmado, na pedra me absolverão.

Fugaz passagem de tuas mãos,
Belas e densas
Em minha face queimada,
Pelo sol, em pequenas festas pretensas.

Sonhos de sensação ardente,
Entre nossas mentes, dormentes,
Apenas me parecem uma semente,
Algures no Oriente.

Leve esta tarde, saborosa,
Contudo, bastante perigosa,
Pois custa o separar,
O final está a chegar.

Deixo-te ainda no momento
Em que precisas que te olhe,
Num breve pensamento,
Fui, já nada me tolhe.

Novidades



Meus caros, Dirijo-me a vós para vos dar conta da possibilidade de adquirirem, desde já, um livro só com poemas da minha autoria. E como poderão fazê-lo? Pois bem, para tal basta visitarem o site http://www.worldartfriends.com/ e entrarem na secção "constrói o teu próprio livro" (encontra-se do lado esquerdo do ecrã). Aí chegados terão de seguir as instruções transmitidas para o poderem solicitar. Os meus poemas encontram-se postados com o nickname "velhomestre". Agradeço, desde já, as visitas a este blog, que espero possam continuar a aumentar a cada dia que passa. Por favor, não fiquem parados. Eu agradeço, a poesia agradece e provavelmente a editora também. Vítor Fernandes

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sábado, 25 de julho de 2009

O marechal

A lua vai alta no céu,
Ao longe tinem os sinos de papel,
O marechal cruza seu véu,
Verbo e vivacidade marginal.
Mafarrico glamoroso,
Gentleman infiel,
Abstraído do seu séquito,
Qual ave de rapina.
Gesticula com o infinito,
Absorve o ar que o rodeia.
Palpitante arte nos seus actos,
Movimentos giratórios, galanteios,
Madura forma de transição.

(Tudo é arte, mas guerra não)

No sopé da montanha pulula,
Acelerando sua verdasca,
Em direcção a qualquer palonço,
Melhor ou pior do que ele, insonso,
Com esplendorosa tira de madrepérola.
Severo, sereno a visar,
Como um texto por revisar,
Atinge o vitral em girassol,
Na intensa e fresca maré.
Palpar, sem poder olhar,
Amar, sem sequer respirar,
Na verdade...

(Tudo é arte, mas guerra não)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tu sabes

Dizes-me nada
E, contudo, continuo a ouvir-te,
Sentir-te,
A olhar o céu com se não estivesses lá.
Não partiste.
Sinto teu calor em cada manhã,
Vejo teu sorriso no sonho de cada madrugada.
Toco-te com o pensamento,
Ah! Que bom é recordar-te.
Musa de meus textos,
Dos momentos absorto em nada,
E em tudo que nada seja.
Perco a realidade em ti,
Mergulho no infinito, ausente,
Em momentos de amor já vencidos.
Solto minh' alma a teus pés.
Fala comigo!
Ou ainda que não o faças,
Não te afastes,
Preciso de ti.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Erguer a voz

Solto o grito, opaco
Som que me vem da alma,
Envolta em escuridão, permanente
Sofreguidão, e a seguir calma,
Num espírito rouco e dormente.

Mergulho no mar, fraco
Este sentir nada, que é tudo
O que sobra no infinito e profundo,
Reino de bobos, entrudo,
Que resta neste mundo.

Prende-me o ser que já não sou, qual Baco
Em sua festa divinal, sortudo
Ser que mostras o caminho escondido,
Num labirinto que é tudo,
Menos o fim pretendido.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sombras

Sombras que aquecem o corpo,
Liberto de emoções
E sensações.
Algures no mar, absorto,
Por funestas confusões
E ilusões.
Passos dados no escuro,
Sempre com medo dos tropeções
E horríveis desilusões.
Caminhar no segredo,
De uma noite de aberrações
E espantosas equações.
Barco inundado de horrores,
Afastado de aclamações
E vislumbrando abominações.
Está quase a chegar,
O leve afagar de aflições,
E terríveis arpões.
Parece que vejo algo,
Daqui parecem anões
E seus amigos camaleões.

domingo, 12 de julho de 2009

Uns mais, outros menos

Sinto o vibrar do sol da manhã
Para lá da montanha de gente com afã,
Que opera o milagre do movimento.
A luz brilha nos postes viscosos,
Sob o olhar de pássaros buliçosos,
A rondar o poiso em permanência.
Solene o ar que se respira,
Nesta serra que se admira,
Dos seus filhos vagarosos.
Aqui o ritmo é lento,
Não passa ainda o betão e o cimento,
Que nos retirará o ar.
Podemos salvar a economia,
Mas tenho para mim, e não é mania,
Que a natureza mataremos.
Enfim, um dia todos morremos,
É uma frase de somenos.
Morreremos todos. Uns mais, outros menos.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sou

Sou menos do que fui,
Mais do que almejei ser,
Perdido nas vielas do prazer,
Entre a dor e o que nada faz doer.

Vem de mim um grito interior,
Perdido algures num dia mau,
Agarrado por esperança exterior,
Quero ser o que fui e almejei ser.

Sou, nas entrelinhas desta vida,
Som perdido na canção,
Que despertou algures uma emoção,
No pensamento que me atordoou.

Perene olhar resgatado no horizonte,
Em mim e em ti repousam,
Milhares de vidas, um monte
De figuras que rir ousam.

Sou menos do que fui!

Silêncio.
Quero ouvir o marulhar,
Sentir com todas as forças as intervenções,
Fingir que nada tenho a ver com essas sensações.

Sou porto de abrigo,
Onda selvagem num mar revolto,
Coragem sem saber que digo,
Homem com coração bem solto.

Intrigam-me os falhanços.
Nada, mistério, mundo em convulsão,
Um abraço de irmão,
Que me afasta de profícua sedação.

Quero, o que quis e já tive,
O nada que terei,
Sem saber tudo o que serei,
Sou, afinal, o que nunca almejei.

Sou mais do que almejei ser!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cansaço

Estou cansado,
Estafado, anafado,
Abismado, talvez até
Acidulado com tudo o que me rodeia.
Sem tréguas luto,
Refuto, disputo,
Amputo o que resta de minha alma.
Sinto-me a desistir,
A admitir, aderir,
Comprimir meus desígnios,
Cobrir todo o desencanto.
Não consigo resgatar,
Agarrar, acarinhar,
Muito menos abdicar,
De todos os meus pensamentos.
Loucura.
É o fim.
Uma porta aberta,
Liberta, desperta,
Boquiaberta por tudo o que quero dizer,
Fazer, conhecer, escrever.
Ah! Sinto-me endoidecer.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Magia do irreal

Mágico sítio este,
Para lá do real,
De tudo o que nos faz mal.
Existem magos no cipreste,
Exorcizando feiticeiros sem cor,
Que pululam em redor,
Da dor,
Sobranceira e agreste.
Nas mãos de um xamã,
Que saltita sem sucumbir,
Em busca de sapiência.
Qual Adónis em seu jardim,
Exercita o plano sem fim,
Que nos leva á dormência.
É plena a consciência,
Completa, sem lacunas,
Que nos guia para lá das dunas,
De uma existência inoportuna.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Poema do além

Procurei-te na sombra
Desta noite gélida.
Não te encontrei uma vez mais.
Em teu lugar, silêncio,
O vazio que reina em minha alma.
Não estou aqui neste momento.
Absorto em pensamentos,
Vagueio algures no deserto.
Queimado do sol da esperança,
Que a lua tão nua,
Tornou apenas crua.
O tempo não passa neste lugar.
Não quero mais encontrar-te,
Num sítio onde o futuro não existe.
Voltei. Estou quase a chegar,
Àquele porto de abrigo,
Que eu, marinheiro do deserto,
Nunca larguei para te alcançar.

Início


Meus caros,


É com muita expectativa que inauguro este espaço de partilha de alguns dos meus poemas convosco, na esperança que os mesmos possam ser bem recebidos por todos. Enquanto não surge a publicação do meu primeiro livro, algo que espero que aconteça ainda este ano, estarei aqui, regularmente, neste espaço a partilhar ideias, palavras, emoções e tudo o mais que a minha poesia desperte.
Conto com a vossa participação e agradeço desde já a visita efectuada, esperando que continuem a regressar com redobrado ânimo a este espaço.