quinta-feira, 30 de julho de 2009

O mínimo

Roubam-me o ar,
A cada dia que passo asfixio,
Esta vontade enorme de ser mais,
Olhar o sol da cor da minha alma,
Sentir as nuvens num abraço cordial,
Não me abandona esta vontade.
Escrevo, crio, entre muitas outras coisa,
A que para pagar as míseras contas,
Me tenho de entregar.
Um país é a sua cultura,
Para onde caminhas Portugal?
Aqui nunca interessou criar,
Apenas trabalhar as vontades de outrem,
Num país a descarrilar.
O cansaço, por vezes, tolhe-me a pena,
Quero pensar e não dá mais,
O corpo resiste, a mente pára,
Ai, se eu trabalhasse menos!
Somos um país de poetas!
Por onde andam eles nas livrarias?
Nas casas de cultura, nas editoras, enfim.
Não queremos viver de apoios,
Queremos apenas alguém que apoie,
Ou que perceba a cultura,
Pelo menos... queremos o mínimo.


Vítor Fernandes

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Chegaremos lá

Louco,
Livre,
Procuro a liberdade.

Olho,
Não a encontro,
Roubaram-ma em tenra idade.

(Hei-de encontrá-la)

Sôfrego,
Intenso,
Sou, neste nada que é tudo.

Infinita alegria,
Luta,
Revolta nos olhos do povo.

(Chegaremos lá)

Força,
Ambição,
Vale tudo nesta confusão.

Remar,
Contra a maré,
Mantermo-nos sempre de pé.

(A porta abre-se a qualquer momento)

Concursos de poesia

Bom dia,
Deixo-vos aqui algumas dicas sobre concursos de poesia a que podem ainda enviar o vosso trabalho:

1º Prémio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Amerícana/2009 - regulamento aqui

Prémio de Poesia Manuel Alegre - regulamento aqui

Concurso Aveiro jovem criador - regulamento aqui

Boa sorte a todos.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Breve passagem

Abandono teu corpo,
Suave beijo nesta tarde de Verão,
E voo rumo ao destino;
Espalmado, na pedra me absolverão.

Fugaz passagem de tuas mãos,
Belas e densas
Em minha face queimada,
Pelo sol, em pequenas festas pretensas.

Sonhos de sensação ardente,
Entre nossas mentes, dormentes,
Apenas me parecem uma semente,
Algures no Oriente.

Leve esta tarde, saborosa,
Contudo, bastante perigosa,
Pois custa o separar,
O final está a chegar.

Deixo-te ainda no momento
Em que precisas que te olhe,
Num breve pensamento,
Fui, já nada me tolhe.

Novidades



Meus caros, Dirijo-me a vós para vos dar conta da possibilidade de adquirirem, desde já, um livro só com poemas da minha autoria. E como poderão fazê-lo? Pois bem, para tal basta visitarem o site http://www.worldartfriends.com/ e entrarem na secção "constrói o teu próprio livro" (encontra-se do lado esquerdo do ecrã). Aí chegados terão de seguir as instruções transmitidas para o poderem solicitar. Os meus poemas encontram-se postados com o nickname "velhomestre". Agradeço, desde já, as visitas a este blog, que espero possam continuar a aumentar a cada dia que passa. Por favor, não fiquem parados. Eu agradeço, a poesia agradece e provavelmente a editora também. Vítor Fernandes

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sábado, 25 de julho de 2009

O marechal

A lua vai alta no céu,
Ao longe tinem os sinos de papel,
O marechal cruza seu véu,
Verbo e vivacidade marginal.
Mafarrico glamoroso,
Gentleman infiel,
Abstraído do seu séquito,
Qual ave de rapina.
Gesticula com o infinito,
Absorve o ar que o rodeia.
Palpitante arte nos seus actos,
Movimentos giratórios, galanteios,
Madura forma de transição.

(Tudo é arte, mas guerra não)

No sopé da montanha pulula,
Acelerando sua verdasca,
Em direcção a qualquer palonço,
Melhor ou pior do que ele, insonso,
Com esplendorosa tira de madrepérola.
Severo, sereno a visar,
Como um texto por revisar,
Atinge o vitral em girassol,
Na intensa e fresca maré.
Palpar, sem poder olhar,
Amar, sem sequer respirar,
Na verdade...

(Tudo é arte, mas guerra não)

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tu sabes

Dizes-me nada
E, contudo, continuo a ouvir-te,
Sentir-te,
A olhar o céu com se não estivesses lá.
Não partiste.
Sinto teu calor em cada manhã,
Vejo teu sorriso no sonho de cada madrugada.
Toco-te com o pensamento,
Ah! Que bom é recordar-te.
Musa de meus textos,
Dos momentos absorto em nada,
E em tudo que nada seja.
Perco a realidade em ti,
Mergulho no infinito, ausente,
Em momentos de amor já vencidos.
Solto minh' alma a teus pés.
Fala comigo!
Ou ainda que não o faças,
Não te afastes,
Preciso de ti.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Erguer a voz

Solto o grito, opaco
Som que me vem da alma,
Envolta em escuridão, permanente
Sofreguidão, e a seguir calma,
Num espírito rouco e dormente.

Mergulho no mar, fraco
Este sentir nada, que é tudo
O que sobra no infinito e profundo,
Reino de bobos, entrudo,
Que resta neste mundo.

Prende-me o ser que já não sou, qual Baco
Em sua festa divinal, sortudo
Ser que mostras o caminho escondido,
Num labirinto que é tudo,
Menos o fim pretendido.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Sombras

Sombras que aquecem o corpo,
Liberto de emoções
E sensações.
Algures no mar, absorto,
Por funestas confusões
E ilusões.
Passos dados no escuro,
Sempre com medo dos tropeções
E horríveis desilusões.
Caminhar no segredo,
De uma noite de aberrações
E espantosas equações.
Barco inundado de horrores,
Afastado de aclamações
E vislumbrando abominações.
Está quase a chegar,
O leve afagar de aflições,
E terríveis arpões.
Parece que vejo algo,
Daqui parecem anões
E seus amigos camaleões.

domingo, 12 de julho de 2009

Uns mais, outros menos

Sinto o vibrar do sol da manhã
Para lá da montanha de gente com afã,
Que opera o milagre do movimento.
A luz brilha nos postes viscosos,
Sob o olhar de pássaros buliçosos,
A rondar o poiso em permanência.
Solene o ar que se respira,
Nesta serra que se admira,
Dos seus filhos vagarosos.
Aqui o ritmo é lento,
Não passa ainda o betão e o cimento,
Que nos retirará o ar.
Podemos salvar a economia,
Mas tenho para mim, e não é mania,
Que a natureza mataremos.
Enfim, um dia todos morremos,
É uma frase de somenos.
Morreremos todos. Uns mais, outros menos.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sou

Sou menos do que fui,
Mais do que almejei ser,
Perdido nas vielas do prazer,
Entre a dor e o que nada faz doer.

Vem de mim um grito interior,
Perdido algures num dia mau,
Agarrado por esperança exterior,
Quero ser o que fui e almejei ser.

Sou, nas entrelinhas desta vida,
Som perdido na canção,
Que despertou algures uma emoção,
No pensamento que me atordoou.

Perene olhar resgatado no horizonte,
Em mim e em ti repousam,
Milhares de vidas, um monte
De figuras que rir ousam.

Sou menos do que fui!

Silêncio.
Quero ouvir o marulhar,
Sentir com todas as forças as intervenções,
Fingir que nada tenho a ver com essas sensações.

Sou porto de abrigo,
Onda selvagem num mar revolto,
Coragem sem saber que digo,
Homem com coração bem solto.

Intrigam-me os falhanços.
Nada, mistério, mundo em convulsão,
Um abraço de irmão,
Que me afasta de profícua sedação.

Quero, o que quis e já tive,
O nada que terei,
Sem saber tudo o que serei,
Sou, afinal, o que nunca almejei.

Sou mais do que almejei ser!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Cansaço

Estou cansado,
Estafado, anafado,
Abismado, talvez até
Acidulado com tudo o que me rodeia.
Sem tréguas luto,
Refuto, disputo,
Amputo o que resta de minha alma.
Sinto-me a desistir,
A admitir, aderir,
Comprimir meus desígnios,
Cobrir todo o desencanto.
Não consigo resgatar,
Agarrar, acarinhar,
Muito menos abdicar,
De todos os meus pensamentos.
Loucura.
É o fim.
Uma porta aberta,
Liberta, desperta,
Boquiaberta por tudo o que quero dizer,
Fazer, conhecer, escrever.
Ah! Sinto-me endoidecer.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Magia do irreal

Mágico sítio este,
Para lá do real,
De tudo o que nos faz mal.
Existem magos no cipreste,
Exorcizando feiticeiros sem cor,
Que pululam em redor,
Da dor,
Sobranceira e agreste.
Nas mãos de um xamã,
Que saltita sem sucumbir,
Em busca de sapiência.
Qual Adónis em seu jardim,
Exercita o plano sem fim,
Que nos leva á dormência.
É plena a consciência,
Completa, sem lacunas,
Que nos guia para lá das dunas,
De uma existência inoportuna.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Poema do além

Procurei-te na sombra
Desta noite gélida.
Não te encontrei uma vez mais.
Em teu lugar, silêncio,
O vazio que reina em minha alma.
Não estou aqui neste momento.
Absorto em pensamentos,
Vagueio algures no deserto.
Queimado do sol da esperança,
Que a lua tão nua,
Tornou apenas crua.
O tempo não passa neste lugar.
Não quero mais encontrar-te,
Num sítio onde o futuro não existe.
Voltei. Estou quase a chegar,
Àquele porto de abrigo,
Que eu, marinheiro do deserto,
Nunca larguei para te alcançar.

Início


Meus caros,


É com muita expectativa que inauguro este espaço de partilha de alguns dos meus poemas convosco, na esperança que os mesmos possam ser bem recebidos por todos. Enquanto não surge a publicação do meu primeiro livro, algo que espero que aconteça ainda este ano, estarei aqui, regularmente, neste espaço a partilhar ideias, palavras, emoções e tudo o mais que a minha poesia desperte.
Conto com a vossa participação e agradeço desde já a visita efectuada, esperando que continuem a regressar com redobrado ânimo a este espaço.