sábado, 26 de setembro de 2009

Reminiscência

Quero viver.
Sinto saudades da vida,
Dos sorrisos das flores,
Dos pássaros a cantar.
Acordo.
Que duro este acordar.
Não era assim,
Lembro-me.
Tudo mudou,
Preciso de voltar a sentir,
Percorrer os caminhos,
Que envolvem meus sonhos,
Tenho de voltar a sonhar.
Sinto falta da alegria de sonhar,
De alcançar o inatingível,
De lutar sem medo de perder.
Sinto falta do cheiro do mar,
Sem estar perto de lá chegar.
De tocar o céu, sem nunca voar;
De nadar sem entrar na água.
Loucura.
Sinto falta de poder ser louco,
De amar sem nada esperar.
De brincar,
Soltar a alma ao vento;
Sinto falta de poder ser eu.
Aquela pessoa de que gosto,
Que vive a felicidade de ter amigos e…
Vontade de viver.
Procuro,
Mas sei que não vou encontrar.
Quero voltar a viver.


Vítor Fernandes

sábado, 19 de setembro de 2009

Mudar

Olhos no futuro.
Finalmente a bruma dissipa-se,
No horizonte longínquo,
Deste céu de azul intenso.
Fé.
Pedem-nos sangue,
Suor, lágrimas,
Qual deuses do Olimpo,
Em tão desumano esforço.
Acreditar.
Será que vale a pena?
Ou nada irá mudar?
Tanta luta nesta vida, tão densa,
Com uma política pretensa,
Imoral, não social!
Coragem.
Temos muita, de sobra,
Nesta estóica caminhada,
Sobre fogos e nevões,
Sempre em más condições.
Mudança.
É hora de tocar a rebate.
Chega de frases inúteis,
De ideias sem substrato.
O caminho não é este,
Nunca poderá ser.
Luta.
Cerebral, intelectual, racional,
Nunca emocional.
Para não derrotar o ideal,
De uma liberdade real.



Vítor Fernandes

domingo, 13 de setembro de 2009

Na penumbra

Esta trémula luz,
Na penumbra da noite,
Parece aparentemente perdida,
Sem rumo aparente.
Enganam-se! Pois sim!
Esta singela luz,
Guia minha pena
Por caminhos sem fim,
Num mundo de poemas.
Alumia as palavras,
Que sofregamente escrevo,
Imagino, registo,
Debito, enfim;
Só ela me permite,
Exercer este fascínio,
Que nasce das letras,
Palavras e afins.
Trémula luz em noite misteriosa,
Que absorve os sentidos,
Hirtos, não descritos,
Apenas vagos, por vezes,
Certezas infinitas,
Em verdades resolutas,
Nunca absolutas,
Isso são segredos em mim.
Luz sem escuridão é quanto preciso…
Não importa se trémula ou brilhante,
Forte ou fraca,
Apenas a intensidade mínima,
Que faz da noite quase dia.



Vítor Fernandes

sábado, 12 de setembro de 2009

Alma

Estado de alma, sentida,
Talvez sofrida, vivida ou esquecida,
No mar, na terra, horizonte longínquo,
Pássaro selvagem que rasga os céus,
Procuro-te, antevejo-te, adormeço-te,
No quarto dos meus sonhos, coração,
Com sorte, azar, sentido...
Estado de alma, sentida,
Percorrida por um mar sem fim,
Mulher que passa. Olha, não fica.
Continua um caminho inventado,
Não testado, amado, ou não, sem ver,
No fundo, onde está a razão?
Estado de alma, sentida,
Frustrada, amada, violada,
Por si, por mim ou alguém,
Talvez até por ninguém,
Não interessa...
Sentida fica sempre que lhe tocam...


Vítor Fernandes

sábado, 5 de setembro de 2009

Em mim, maior

Onda que és menor,
Neste rio, para mim maior,
Imensa água, sem fim,
Tejo das tágides e ninfas,
Sepulcro de memórias, recordações,
Canções, orações, emoções,
Mosteiro de meus pensamentos,
E sofrimentos.
Sonho ser teu irmão,
Nadar na liberdade de tuas águas,
Ser poema em tuas palavras,
Ver no horizonte as almas,
Em ti perdidas, ou tão só encontradas.
Nos teus braços repousa,
A vida deste teu servo,
Em sentimentos animados,
Por loucura ou frenesim.
Insanidade que se lamenta,
Nalguns casos em tormenta,
Dependência boa ou má?
Só quero em ti ser melhor,
Em ti minha alma vibra,
Ó Tejo, rio, maior.


Vítor Fernandes