domingo, 22 de novembro de 2009

Dissimulação

Alarga, afrouxa, desaferrolha,
Essa vontade de mim.
Desamarra, desaperta, desata,
A corrente por fim.
Alegre, contente, divertido,
Quero estar sem ti,
Galhofeiro, engraçado, animado,
Deixa-me ser assim, já me demiti.
Fortaleza, praça, bastião,
É assim, meu coração,
Sólido, duro, resistente,
Aguenta qualquer decisão.
Hora, tempo, instante,
Já não resta nenhuma solução,
Ensejo, ocasião, oportunidade,
Nada mudará minha sentença.
Aldrabo, indromino, minto,
A mim mesmo com esta conversa,
Falseio, simulo, finjo,
Que já nada em ti me interessa.
Alcancei, adquiri, encontrei,
Essa liberdade que desejei,
Conquistei, obtive, cobrei,
Mas agora sinto que fraquejei...


Vítor Fernandes

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Só tu, Ó Tejo

Em tuas margens me perco,
No teu leito correm meus dias,
Longe de mim e, no entanto, tão perto,
Em ti vivo e desperto,
Nessas águas luzidias.

Princípio de tudo, começo,
Fundador de todos os meus sonhos,
Sentido profundo de minha existência,
Aos teus mistérios me entrego,
Até atingir a demência.

Ó Tejo que me fascinas,
Quão importante és em minha vida,
Neste grito que solto, nem imaginas,
Quanto de mim aqui vai,
Nestas palavras que te destino.

Sôfrego, intenso, ainda calmo,
Não vivo sem amor nem sentido,
A ti dedico poema ou salmo,
Qualquer deles com paixão,
Num abraço de emoção.

A ti, Ó Tejo de todas as ninfas,
Rei de trovas encobertas,
Das naus e descobertas,
Dedico todas as letras,
Que envolvem minha alma.

Com excepcional tranquilidade me envolves,
E, só tu, a paz me devolves,
Neste mundo conturbado.
Em ti repousa minha fé,
Enquanto bebo este café.


Vítor Fernandes