sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Do não ser ao que sou

Quem te disse ò alma que sabes quem sou,
Que nos rios que correm o mar lá deixou,
Mensagem para mim, poeta que sou,
Nas palavras perdidas que o mundo deixou,
Incertezas na vida que passam por mim.

Sou raio de luz para quem já ficou,
Perdido no rumo que uma noite mudou,
Estarrecido, incrédulo em crer no que voou,
Para além do céu que a terra desertificou,
Num passo esquecido dado com frenesim.

Para onde caminho, não sei, sei que vou,
Procurando o sentido do sol que raiou,
Num telhado que fiz na casa que lá ficou,
Um dia no tempo, passado, que a hora estancou,
Numa saudade de algo em flor de cetim.

Colho hoje o fruto que a dor perpetrou,
Num coração selvagem que a chuva molhou,
Não sei quem sou, apenas que me dou,
A altivas formas de ser quem não sou,
Num mar de lágrimas que corre em meu jardim.

Jardim, que não tenho já, tive, não voltou
A ser como era, alguém o violentou,
Tirando-lhe o brilho que em tempos me revoltou,
As entranhas e manhas que o tempo agarrou,
Em hora esquecida que nasce de mim.


Vítor Fernandes

sábado, 19 de dezembro de 2009

Suave poema do meu ser

As palavras brotam do arco do meu ser,
Saber, não viver,
Viver que é nada num simples texto,
Emaranhado de letras,
Envoltas em pensamentos abstractos.

Sopra o vento por momentos…

Sou o poeta que quero ser,
Ou não,
Tudo o que escrevo vem da alma,
Do infinito que rasga interpretações,
Que mais não são, para mim, que emoções.

O sol desce por entre as árvores…

Rebento em desnorte de sensações,
Escrevo,
Liberto estou de tentações,
Rebeliões de alma de exércitos sem cor,
Tudo eu sou.

A lua beija o céu por momentos…

Minha caneta escreve quase sem mim,
Por vezes corro ao seu encontro,
Esgotado por seu imenso fôlego,
Percorrendo estradas sem fim,
Quase grito por socorro.

Vai alta a lua junto das estrelas…

Aqui estou ainda hipnotizado,
Alegre, feliz, em desacordo,
Com tudo o que escrevi ou apenas li,
Sentado no trono de meus poemas,
Ser que sou e que não fui.

Nasce o sol para um dia sem fim…



Vítor Fernandes

sábado, 12 de dezembro de 2009

Vim buscar-te

Percorro teu jardim,
Num dia chuvoso, sem fim.
Os pássaros não cantam nas árvores,
O suave cheiro do alecrim
Rodeia toda a bela mansão.
Plantaste também jasmim!
Que emoção, afinal lembraste-te,
De nossos dias de amor pretenso
Carregados de sol imenso.
Nem por um momento vacilei.
Nunca! Seria impensável fazê-lo.
Hoje, enfim, voltei.

Estou triste, sinto tua falta,
Nos dias em que te tive,
Não sei porque não te estimei.
Sei, contudo, que te amei,
E amo ainda, com todas as forças,
Pensamentos, emoções,
Até me recordo das nossas canções!
Hoje, estou aqui para falar com teu jardim,
Explicar-lhe que vais voltar para mim,
Saltar para minha mão,
E afagar meu coração.
Teu lugar é lá,
De onde, te juro,
Nunca em nenhum dia saíste.



Vítor Fernandes

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Amor hipnótico

Vejo-te nos sonhos,
Deliro em minha alma,
Sou poeta, profeta,
De um vazio inexistente.

Sonho-te ainda!

Louco, livre, sou eu o mar,
Que desagua no teu sorrir,
No teu leve abraçar,
Nas amarras do teu beijo.

Sonho-te ainda!

Bela, serena, infinita sereia,
Que transborda de emoção,
Meu coração em ebulição.
Sei que estás algures no mundo.

Sonho-te ainda!

Sôfregos momentos de vislumbre,
De um olhar confiante, afável,
Solto de escárnio, sem nada,
Amor puro e perene.

Sonho-te ainda!

Hei-de encontrar-te, além
Desta imaginada estação,
Onde juntos estaremos em harmonia,
Ao som de uma bela canção.

Sonho-te ainda!



Vítor Fernandes