sexta-feira, 30 de abril de 2010

Devaneios

Toscas palavras,
Sábios caminhos,
Somos o que fazemos,
Não aquilo que queremos,
Muito menos o que querem os vizinhos.

Vidas fingidas,
Maus momentos que escolhemos,
Ramos partidos,
Sentimentos mal vividos,
Em estradas encolhidas.

Nem sei se faço sentido,
Mas também nunca quis saber.
Que raio! As palavras são minhas,
E tenho-as nas palminhas,
Nem preciso de beber.

Tristes os que não sabem,
O prazer de ser alguém,
Não falar e ser ouvido,
Não espremer e ser espremido,
Ter pai e não ter mãe.

Este poema é bom ou mau?
Nem sei, nem tal me interessa,
Não sou bruxo nem mago,
Prémios? Deixo-os para o Saramago,
Quando muito para a Vanessa.

Meus amigos, isto sou eu,
Sei o que digo, não sei que faça,
Entretanto o tapete salta,
Não percebo esta malta,
Nem sequer de que cor é a taça.

No final estamos sempre juntos,
Uns felizes, outros nem tanto,
Consciência, pesada ou leve,
Dependendo do cada um deve,
Seja ele diabo ou santo.


Vítor Fernandes

domingo, 25 de abril de 2010

Tempo passado

A saudade reina na tarde de meus dias,
Fruto de momentos perdidos,
Desconhecidos que nada são,
Amigos que tudo foram e serão.

Perco o ritmo das minhas lembranças…

Sofro o pesar de quem tudo quer dar,
Enquanto desespera por liberdade.

Toscas palavras ao vento…

Oiço o latejar do meu coração,
Ao compasso da música da infinita recordação.
O tempo.
Ninguém toma conta do tempo,
Para o obrigar a ficar,
A deixar a morada para que o possamos contactar.
Preciso de voltar a outro tempo.

Deixei lá tanta coisa esquecida…


Aqui e agora não choro,
Sorrio antes de eterna felicidade,
De pequenos nadas que agora recordo,
No vazio do tempo que não volta para trás.
Anseio todos os dias abrir o baú,
Agarrar minhas lembranças,
Inseguranças vividas, almas contidas,
No raiar da minha vida.

Louca esta esperança de ter saudade
E não ter de a sentir…


Vítor Fernandes

sábado, 17 de abril de 2010

Será que me viram?

Ser relevante.
Antes de perecer,
Incógnito, ignoto, ignorado,
Qual parede do avesso,
Ferida por esvurmar.
Na fornalha do sofisma,
Nascem Homens com carisma,
Cortando o paradigma,
Num sítio paradisíaco!

Solenidade é necessária.
Solavanco no leme,
De uma vida retumbante,
Encoberta pelo esvaziar,
De peixes no mar.
Não, não como esturjão!

A sirene da ambulância,
Chega, rápida, travessa,
Alavancada por uma pápula,
Num coração forrado,
Por olhar retrospectivo,
Infinito, divino.
Rir sem perceber,
Perder sem encontrar
O caminho para a imortalidade!

Atravesso reticente,
Sem evitar o devir,
Sentir o que mais não quero,
Importante não sou,
Mas serei…
Aos olhos de quem me conseguiu ver.



Vítor Fernandes

domingo, 4 de abril de 2010

Ah! Como eu gostava…

De minha varanda vejo o sol,
Mudo, quieto, enfim, colorido,
Como só ele, em manhã límpida,
E fresca, do dia a começar a raiar.

Ah! Os pássaros.

Chilreiam incessantemente,
De forma veemente,
Seu canto nesta manhã singela.

Ah! Se todos os dias fossem como este.

Belo, sem artifícios, singelo,
Com sequiosos olhares pelo horizonte,
Descobrindo uma cena inoportuna,
Algo que não era para ver,
Coisas que fazem sofrer.

Ah! Vida tão estranha.

Correm sem parar as pessoas lá fora
Em colunas ambivalentes e dementes,
Loucas para a algum lado chegar,
Num constante divagar.

Ah! Se eu mandasse no tempo.

Parava tudo!
Qual sindicalista em êxtase,
No exercício do seu delírio
De poder exacerbado.

Ah! Se nós quisermos mudar alguma coisa.

Será que basta dar as mãos?
Ou apenas os pensamentos?
Tentar não é de somenos…



Vítor Fernandes