terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Sombra de nada

Sei que sentes que sinto,
Algo que...talvez seja...
Não sei se minto.

Ainda que não real,
Irreal não é,
Apenas não o foi ainda.

Basta que o sonhes comigo

Sei que sentes o sabor do beijo
Que ficou por dar,
Naquele momento
Que nem se chegou a passar.

Os teus lábios despertam comigo

Mesmo que este nada seja tudo
O que se vier a passar,
Ainda que apenas os teus pensamentos
Se colem aos meus,
Tens o que nunca pensei dar!

E este nada que é tudo
nem sequer alcança o mar...


Vítor Fernandes

domingo, 20 de novembro de 2011

Sei que não sei

Não quero escrever!
Não sinto essa compulsiva vontade,
De escrever mistérios,
Relatar a saudade.
Digo adeus aos meus sonhos,
A esses versos de poeta,
Sem pensar em nada,
Sem nada ler,
Quase tão alegre que me parece que estou triste.

Esse ócio atormenta-me,
Não me posso sentar!
Assim que me sento
Logo as palavras me amarram
E se lançam vorazmente em minha pena.
Quase não sinto o que escrevo.
Se é que escrevo...
Penso nas demais vezes em que apenas debito.
A pena ou eu? Alguém sentirá.

Acho que não sinto o que escrevo...
Talvez sinta mais o que leio,
Neste eterno recreio de versos.
Será que as pessoas que os lerem gostarão?
Sentirão alguma coisa?
Não quero saber,
Sei que não sei o que quero dizer!!!
Em quase todas as palavras
Esses mistérios são apenas interpretações.



Vítor Fernandes

sábado, 19 de novembro de 2011

A tua hora

Tenho sede de ti
De dia, de noite,
A qualquer hora te procuro.
A porta do meu coração...
Reabriu!!!
Espero...
Aqui
Por ti, pacientemente,
Sem pressa alguma,
Chegarás.


Vítor Fernandes

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Lua Cheia

Brilho intenso no céu
Negro,
Com sorriso branco
No canto da boca.
Surpresa
Na tua chegada,
Repentina,
lua cheia de sonhos,
Intensos e gloriosos,
Olhar-te é...
Saber que vivo,
Em permanência
Com uma vontade
Imensa,
De sempre te ver.

Vítor Fernandes

sábado, 22 de outubro de 2011

Outra realidade

Perco-me finalmente
Em ti.
Ainda que, para já,
Só em meras
Palavras,
Sentidas
Não floridas.
Palavras de amor
Que me rasgam a razão.
Sinto o teu suave toque,
Na minha alma,
Leve,
Como o amor que sinto
Pelo pensamento
Em que te tenho.
Sonho-te...
A realidade és tu!


Vítor Fernandes

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Absorto

Tu és o meu melhor segredo...
Respiro
Em ti a alma que sopra
Em mim.
Roubo aos céus a vontade de ficar
Perdido em ti.
Não chega
A calma não acalma a ausência
De vida
No que não sou.


Vítor Fernandes

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O circo

Espuma, nas notas soltas da vida...
Mergulho intenso no nada
Que exalas em cada gesto obtuso.
Concretamente? O circo!!!
Roubada a normalidade do acto,
Que pureza há na realidade?
Rebanhos marcham na fila
Empurrados por...sede!!!
Secas as gargantas de vida.
Não sobreviver, sofrer, o dia que já passou
E o outro que vem já aí.
Aí está o malabarismo,
mais um dia de acrobacia,
Vazia, no vazio do nada
Que já nem isso é.
Rotura com as fundações da tenda.
Mudar o sítio? Não!!!
Mudar a vontade de ter esta realidade.


Vítor Fernandes

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Lentamente surges

O sol ilumina todos os cantos
Por sereias cantados em prantos,
Na beira do adro ou no mar,
Neste ou em qualquer lugar.

Sopra o vento naquela árvore...

Feliz sorriso encantado,
Por um beijo iluminado,
No topo dos dias já passados,
Arrastando consigo todos os fados.

Cai uma folha soprada pelo vento...

Sozinha abarca todos os desejos
Libertos, sentidos ensejos,
De alma perdida na eternidade
De uma longa e bela saudade.

O vento empurra a folha no ar...

Fica. Parada no tempo fica!
Não é dor, apenas um manto que estica,
O amor de alguém resgatado,
por um prazer deveras inusitado.

A folha cai devagar...

Respirar o ar impregnado,
De sonho ou mágico momento velado,
No sentir fugaz dos minutos,
Nos corações mais enxutos.

O chão absorve o teu impacto...


Vítor F.

domingo, 15 de maio de 2011

"Para quê?"

Busca incessante
Do raio de luz opaco,
Claramente insignificante,
Por consequência, minúsculo e fraco
Que teima em incendiar nossos olhares.
Parar de procurar o crepúsculo,
Escondido em conchas, no mar,
É o desígnio mais importante,
Que resta a quem quer amar.
Sopro fugaz ou eterno,
Vislumbre de sorte ou azar,
É tema que rasga o pensamento,
De qualquer jovem mais sonhador.
Ser, sem deixar alguém saber,
A loucura que é não encontrar,
O que se busca sem sequer respirar,
Algo perdido que todos querem agarrar.

Procurar é nunca encontrar...


Vítor Fernandes


2009.10.06

terça-feira, 29 de março de 2011

Isto, que é vida

Realidade abstracta,
Sensação de dormência,
Alegre bonança de silêncio
Que apraz este meu dia.

Ah! Sinto o suave beijo da vida.

Alegoria de primazia,
Sobre ti, minha amada,
Aleluia!
Oiço a liturgia além-mar.

Ah! Sinto a vida num beijo suave.

Livre-pensador, com credo,
Aleijado, lívido,
Dando o litro,
Nesta bela Primavera.

Ah! Sinto o suave beijo da vida.

Um boqueiro na tapada,
Atravessado alegremente,
Em ti um belo cravinho,
Em relva benevolentemente plantada.

Ah! Sinto a vida num beijo suave.

Alegação final, que maçada,
Aborrecimento supremo,
Numa manhã tão abonada,
Até parece que blasfemo.

Ah! Sinto o suave beijo da vida.



Vítor Fernandes