sábado, 29 de dezembro de 2012

Fazes-me falta


Acordei sem ti. Acordei sem mim.
Hoje acordei assim. Vazio.
Sem me ver, sem te ter,
Com saudades de mim e vontade de ti
Sem alma.
Nada. A tua ausência é isto.
É a ausência de tudo.
Fazes-me falta.



Vítor Fernandes

quinta-feira, 22 de março de 2012

Não me escondo?

Não me escondo em qualquer lado
Nem atrás do sorriso que não trago
Nem no beijo que não dou.
Nada do que fui já sou
Nada do que quis não terei.
Sou poema nos lábios da sereia,
Falcão nas asas do sonho
Que persiste em teimar.
O pouco que resta para fazer,
Ninguém que o queira o pode
Reter ou até acolher
Sem enfrentar o que é.
Ser, não parecer.
Nada quero sem ter de me esconder,
Nos alçapões de amor que me acolhem.
Chamem-lhe...
Talvez fé
Ou trabalho,
Que não parece, mas é!


Vítor Fernandes

domingo, 18 de março de 2012

Nunca por aí

Nunca por aí!
Horas, dias, meses sem te ver
Com a alma presa
Por saudades de te ter,
Com a dor a desaguar em pranto,
Sem fim,
Em cada recanto
Que piso sem ti.
Anseio teu abraço
Sorriso sem cor,
No ardor das palavras,
Que, simplesmente, não te digo.
Sonho-te!
Sei que te quero,
Sei como te quero
E vou...
Corro para te ter.
Mas nunca irei por aí!


Vítor Fernandes

domingo, 22 de janeiro de 2012

Deixem-me sonhar

Não me acordem deste sonho
Onde vim cair
Desprevenido.
Não mais quero acordar
Desta viagem sem dor,
Num mundo colorido.
Não sei se é real...
Sei que vejo e sinto,
Sei que quero sentir
O prazer de aqui estar.
Diz-me que posso ficar,
Ó tu que controlas os sonhos
Dos adultos,
Que entre realidade e fantasia,
Apenas vivem sonhando o que pensam ser real.
Não mais dessa sensação,
De querer e não poder,
De ter e não gostar.
Não me leves o sonho
Nem me deixes dormir!
Eu gosto é de sonhar acordado!



Vítor Fernandes

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Algo que passa

Pedra dura
Insegura
Rasga a montanha.
Asfixiante o vento,
Que sopra constante
No pensamento.
Reina a certeza,
Que algo passa,
Por ti a cada momento.
Cai por terra,
O sentimento,
De ver essa pedra
Pairar no ar!
São palmas!
Isso que se ouve
Não é silêncio,
São múrmurios
De gente que quer, mas não pode.
E a vida passa,
Enquanto a pedra cai.


Vítor Fernandes

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Sombra no olhar

Palavras
Sinceras, singelas,
Poucas,
Atingem orelhas moucas
No passar dos dias.
A raiva já foi,
Grassa a vontade de parecer
Tudo o que é preciso ser.
Nem chuva nem vento,
Aqui neste convento
Só os teus olhos penetram
Em todo e qulquer momento.
Não veem, mas olham...
E que pena é!
Tanto que há para veres.
As sombras conjuram o sol,
que brilha sem sentimento.
A lua,
Essa, já não trás tormento,
Apenas a cor dos teus olhos...
Que olham, mas não veem.
E, no entanto, sentem,
Sem te convencerem,
Que basta sentir.
Tanto que há para veres,
Sem a razão...
Tudo são assuntos do coração!


Vítor Fernandes